
Brasão na parte superior do Colégio Rosário na Avenida Independência. Abaixo aparece a inscrição: AD VERUM DVCI
Recentemente foi abordado aqui no blog a questão do primeiro monumento da cidade. Era a fonte Guaíba e Afluentes. Como explicado, ela foi a primeira na cidade a receber uma menção de homenagem, criada no ano de 1866. Teve suas peças importadas da Itália de um catálogo, sendo que, a única parte que mostrava a singularidade eram os nomes nas bases de cada figura. E não devemos esquecer que ela era um chafariz. Sendo assim, vamos abordar a primeira estátua inteiramente criada e colocada na capital (com a sua modelação feita na cidade). Trata-se do monumento ao Conde de Porto Alegre.
O homenageado chamava-se Manuel Marques de Souza III. Foi combatente em diversas batalhas (Passo do Rosário em 20 Fev 1827, ao final da Guerra da Cisplatina, 1825/28; na Revolução Farroupilha, 1835/45; na Guerra contra Oribe e Rosas, 1851/52). Era um tenente-general que foi de vital importância para a retomada de Porto Alegre das mãos dos Farroupilhas. Sendo assim, a cidade sempre se viu obrigada a homenageá-lo.
A estátua do Conde foi encomendada em 1878, sendo o seu projeto original vencido pelas firmas Pittanti & Cia e José Obino Sucessor. Tal projeto previa um pedestal de
A estátua foi inaugurada no dia 1º de fevereiro de 1885 dentro da atual Praça da Matriz (com direito da presença da Princesa Isabel na solenidade). Esse monumento não tinha a semelhança do projeto original (que possuía um conceito muito mais monumental). A versão definitiva teria sido de autoria de Adriano Pittanti e Carlos Fossati.
Durante alguns anos a estátua ficou na Praça da Matriz, porém, em 1912 ela foi transferida para a antiga Praça do Portão (atual Praça Conde de Porto Alegre). A mudança de local foi motivada pelo auge do governo positivista, visto que, era contraditória a permanência de monumento de um membro da monarquia perto do palácio do governo.
A estátua continua até hoje na referida praça. Há anos está com a espada quebrada, pichada e com problemas de umidade causadas pelas árvores do local. A primeira estátua criada
Fontes:
ALVES, José Francisco. A Escultura Pública de Porto Alegre – História, Contexto e Significado. Porto Alegre: Artfolio, 2004.
BICENTENÁRIO DO CONDE DE PORTO ALEGRE <http://74.125.93.132/search?q=cache:CzM1xXLmKwgJ:www.ihtrgs.org/informativo/23.doc+Bicenten%C3%A1rio+do+Conde+de+Porto+Alegre&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br> Acessado em 17/03/2010
Conde de Porto Alegre <http://www.paginadogaucho.com.br/pers/n-conde-pa.htm> Acessado em 17/03/2010
Imagem do Conde: http://farm2.static.flickr.com/1325/1148127904_596fcdd2f1.jpg de Virgílio Calegari. Acessado em 18/03/2010
Porto Alegre teve seu primeiro marco comemorativo em um chafariz. Ele era derivado de uma leva de chafarizes instalados pela Cia Hidráulica para oferecer água potável aos habitantes. Foi originalmente instalado na Praça da Matriz em 1866 e a sua homenagem era para o Rio Guaíba, tendo seu projeto atribuído ao arquiteto José Obino.
A já citada empresa implementou diversos chafarizes na cidade, porém, esse do Guaíba foi o terceiro a ser instalado. A questão de ele ser considerado um monumento é que foi o primeiro a fazer uma menção de homenagem. Os outros dois eram meramente decorativos, entretanto, o monumento também tinha peças decorativas pré-fabricadas (originadas da região de Carrara). Somente nas bases das figuras é que notava-se a singularidade das estátuas. Cada uma trazia escrito o nome de cada afluente do Rio Guaíba: Caí, Gravataí, Sinos e Jacuí. Sem contar de uma que representava o próprio homenageado.
O conjunto era composto por cinco estátuas. Elas eram divididas em duas figuras femininas e outras duas masculinas. Essas ladeavam uma elevada representação masculina da república, que representava o Guaíba. As mulheres tem em suas bases as denominações de Cahy e Sinos, e os homens,Gravatahy e Jacuhy.
O chafariz ficou até o ano de 1910 na Praça da Matriz. Acabou tendo a sua estrutura demolida para a colocação do atual monumento a Julio de Castilhos. As estátuas foram preservadas e guardadas em depósitos da prefeitura. Em 1923 elas foram vendidas para particulares. Seus donos queriam transformá-las em pó de mármore, porém, após uma campanha de mobilização feita pelo Correio do Povo, elas foram novamente compradas pela prefeitura com a promessa de sua reutilização em logradouro público.
A promessa não foi atendida e um tempo depois as peças foram novamente vendidas. Elas passaram por diversas mãos, até mesmo foi adquirida pela Casa Aloys, até retornar a prefeitura por volta de 1935. Nesse ano elas foram instaladas na Praça Dom Sebastião, porém, a figura do Guaíba já não estava mais no conjunto. Segundo José Francisco Alves, ela continua nas mãos de particulares até hoje.
As quatro figuras remanescentes, que constituem os afluentes do Guaíba, passaram por diversas fases de depredação na referida praça. Em 1983 foram removidas para um depósito da prefeitura. Em 1986 elas foram alvos de polêmica na Câmara de Vereadores por causa do seu abandono. Mesmo assim ficaram confinadas por mais 10 anos. Somente em 1996 elas retornaram para a referida Praça Dom Sebastião.
No retorno das estátuas foi criado um espelho d’água. Possivelmente isso fazia parte de uma retomada da característica original do monumento, com direito ao pedestal da já esquecida estátua do Guaíba. Infelizmente, ela até hoje não foi colocada lá, sendo que, temos um lugar sem água e com um melancólico espaço vazio.
O primeiro monumento da cidade encontra-se esquecido e totalmente vandalizado (sujo e com partes retiradas). Poucas pessoas que passam diariamente pelas estátuas têm a noção que elas existem desde 1866 e do seu significado. O que originalmente era chamado de “Guaíba e Afluentes” está há anos caracterizado apenas por “afluentes”.
Foto das estátuas com o pedestal do Guaíba vazio.ALVES, José Francisco. A Escultura Pública de Porto Alegre – História, Contexto e Significado. Porto Alegre: Artfolio, 2004.
Foto da fonte: http://www.imobmeninodeus.com.br/memoriasdepoa.htm Acessado em 15/03/2010
Título: Estatuários, Catolicismo e Gauchismo
Autor: Arnoldo Walter Doberstein
Editora: EDIPUCRS
Ano: 2002
Páginas: 372
Outro livro básico que deve ser mencionado antes de falar sobre monumentos
O material é dividido pelas épocas do fluxo de produção estatuária. O autor desenvolve sua tese com uma progressiva reunião da história dos escultores e suas obras. Tudo começando pelo surto fachadista na Porto Alegre positivista e passando pela arte cemiterial, estátuas religiosas e da tendência da “gauchização” de monumentos.
Estatuários, Catolicismo e Gauchismo apresenta explicações sobre o significado diversos símbolos e estilos de escultura. Essa análise abrange apenas os monumentos de ordem formal clássica: estátuas, hermas, obeliscos e arte fachadista. Não existem menções da dita arte modernista.
Uma pequena crítica deve ser feita: as imagens. Diferente do livro de José Francisco Alves, Estatuários apresenta figuras com uma resolução precária. Isso afeta em muito a compreensão do significado dos monumentos, visto que, muitas obras já foram depredadas. Mas esse detalhe não tira o brilho dessa magnífica e obrigatória obra.
Título: A Escultura Pública de Porto Alegre – História, Contexto e Significado.
Autor: José Francisco Alves
Editora: Artfolio
Ano: 2004
Páginas: 264
Esse post inaugura as dicas de livros e teses sobre Porto Alegre. O espaço destina-se para o comentário sobre publicações que ajudem na compreensão e/ou aumentar a curiosidade sobre a cidade. Diversos livros que serão citados aqui são referências para o blog. Nesse caso, o Escultura Pública de Porto Alegre será amplamente utilizado em 2010, visto que, esse ano teremos uma busca da assimilação de fatos através de monumentos, bustos e etc...
Nesse trabalho José Francisco Alves cataloga e discute toda a escultura pública de Porto Alegre. Partindo da história dos primeiros trabalhos instalados na cidade até teorizações de arte moderna, o autor cria um documento formidável e muito completo. O material apresenta diversas questões de urbanismo, política e compreensão da respectiva arte ao ar livre. Tais reflexões são endossadas pela comparação com outros trabalhos plásticos existentes em outros países.
Seu principal atrativo está no catálogo de obras. Lá estão divididos todos os tipos de arte pública da cidade por épocas de instalação e pelo estilo (estátuas, bustos, arte moderna, fontes, marcos e outros). Com fotos em boa qualidade que mostram detalhes pertinentes para a assimilação das obras. Todas elas são acompanhadas por mapas de localização ao final do livro.
Um fato louvável é a catalogação de obras que não saíram do papel e de outras que foram destruídas pelo tempo. Todas ilustradas por imagens raras de diversos arquivos fotográficos públicos e particulares. Esse resgate da história perdida vai ser amplamente abordado futuramente no ArquivoPOA.
Não devemos esquecer do papel vital que esse livro estabelece com a sociedade. As obras públicas são intensamente depredadas a cada dia. Dessa maneira, o Escultura Pública eterniza uma forma de memória que a qualquer momento pode ser devastada em nossos parques e praças.