segunda-feira, 10 de março de 2014

O Descaracterizado Prédio do Antigo Hotel Carraro

Quem desce pela rua Doutor Flores no Centro de Porto Alegre se depara com um gigantesco prédio de esquina com a Rua Otávio Rocha onde atualmente funciona uma loja Manlec. A edificação chama a atenção do transeunte por ser toda pintada em tons de amarelo e pelo fato de, enigmaticamente, quase não apresentar nenhuma abertura nos andares superiores.
Segundo Oliveira (2010), o prédio em questão foi projetado em 1933 pelos arquitetos Saul Macchiavello e Antonio Rubio para fins de uso misto (residencial, comercial e de serviços), recebendo o nome de Edifício Comendador Chaves. Não se sabe ao certo quais empresas utilizaram-se inicialmente do local, mas em 1935 a Sociedade Amante Carraro e Irmãos comprou o local e acabou criando o Hotel Carraro, sendo este um dos locais mais luxuosos para ficar hospedado na capital, até com direito a elevadores (caríssimos para a época).
O prédio tem uma grande importância para a história da arquitetura de Porto Alegre. Oliveira (2010) o caracteriza dentro do estilo Art Déco, sendo portador de características Déco ziguezague (motivos geométricos com detalhes marajoaras) com Déco steamline (sensação aerodinâmica de conduzir o olhar para certos pontos da edificação). Sua construção foi executada através do uso de concreto armado, uma técnica interessante para a sua época.
O que mais chama a atenção na análise do Edifício Comendador Chaves é pela total descaracterização de sua fachada original. Nota-se por imagens da época que o local tinha uma profusão de aberturas e vãos que separavam a volumetria. Não se sabe em qual época esses elementos foram eliminados e simplesmente tapados com concreto, transformando o prédio em uma espécie de grande paredão. Talvez um dia a podemos ter uma restauração.

Vista frontal do estado atual

Vista frontal de quando ainda funcionava o antigo Hotel Carraro. Retirado de Oliveira (2010, p.172)
Vista lateral mostrando a praça Otávio Rocha no primeiro plano. Notam-se os vãos que foram encobridos com o passar dos anos. Retirado de Oliveira (2010, p.160)
Vista atual mostrando a praça Otávio Rocha

 Detalhe atual da fachada com os espaços onde anteriormente existiam janelas e vãos.
Pilares aparentes que dão a sensação de aerodinâmica e os ornamentos geométricos.


PS.: Antes da Manlec a Loja Mesbla funcionou no antigo edifício do Hotel Carraro


Oliveira, Rogério Pinto Dias deSaul Macchiavello & Antonio Rubio: modernidade arquitetônica em Porto Alegre (1928-1938). 2010, 215 f. Dissertação (Mestrado em História)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em História, Faculdade de Filosofia e CIências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10923/3840> . Acesso em: 10 mar. 2014.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Antiga Casa na Rua Luís Afonso

Outra edificação abandonada no bairro Cidade Baixa é uma pequena casa na rua Luís Afonso. A construção tem os mesmos preceitos da redução de aberturas na fachada conforme outra edificação já publicada no blog. Deve-se ressaltar que este exemplar apresenta elementos decorativos em relevo sobre as paredes e no frontão. 



quinta-feira, 6 de março de 2014

Alumínios Royal S/A

Dentro da sequência de prédios abandonados de Porto Alegre apresento outro "monstrengo" ao melhor estilo Corlac. Trata-se da antiga fábrica dos Alumínios Royal que está em completo abandono na Avenida Brasil. O prédio construído em 1948 (MATTAR, 2010) apresenta sua fachada original, sendo esta possivelmente já inventariada pela Prefeitura de Porto Alegre para preservação (PALINSKI, 2012). 







MATTAR, Leila Nesralla. A MODERNIDADE DE PORTO ALEGRE: ARQUITETURA E ESPAÇOS URBANOS PLURIFUNCIONAIS EM ÁREA DO 4º DISTRITO. 2010, 166 f. Tese (Doutorado em História)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em História, Faculdade de Filosofia e CIências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10923/3863> .  Acesso em: 06 mar. 2014.

PALINSKI, Ilce IneteRequalificação na Av. Brasil: habitação + comércio + serviços. 2012. 29 f. Trabalho de Conclusão de Curso. Faculdade de Arquitetura. Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/78634> .  Acesso em: 06 mar. 2014.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Casa Perdida pela João Alfredo

O bairro Cidade Baixa apresenta algumas casas antigas que primavam pela redução do número de aberturas na fachada. Conforme relato do instrutor do Passeio Viva o Centro a Pé de 22/02/2014, esse recurso fazia com que a tributação do imóvel fosse menor. É dessa época que proliferaram-se as chamadas casas geminadas por Porto Alegre. A residência que apresento hoje está localizada na rua João Alfredo e complementarmente abandonada.



Nota-se que a fachada apresenta apenas porta e duas janelas (sendo uma minúscula), conforme a vantagem fiscal que foi discutida anteriormente. A construção tem uma influência do estilo Art Decó com motivos ornamentais com formas geométricas e, infelizmente, a parte interna do local já foi demolida.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

5 Anos de ArquivoPOA

O blog entra no seu quinto ano com produção a mil. Ando pesquisando muita coisa relacionada a arquitetura moderna da cidade buscando encontrar a história de prédios e casas que ainda sobrevivem a especulação imobiliária. Sinto uma profunda decepção da página ficar sem nenhuma postagem no ano de 2013, por isso tenho como meta que 2014 seja o ano mais produtivo. Falando nisso, em termos de estatísticas, 2010 foi até o momento o período em que mais publiquei material, totalizando 49. 

Finalizo com o top 5 postagens mais acessadas do blog:

30/03/2009, 8 comentários
4407
21/03/2010, 2 comentários
3676
08/03/2009, 10 comentários
2229
09/12/2009, 1 comentário
1043
15/03/2010, 3 comentários
751

JonasRS

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Tobogã do Parcão

O Parque Moinhos de Vento situa-se em uma área onde era o antigo hipódromo do bairro, sendo este removido em 1962 para a construção do atual Parcão. A área só foi inaugurada em 9 de novembro de 1972 (SASTRE, 2011), fazendo assim com que o local passasse anos abandonado.
No ano de 1971, para ocupar a área onde atualmente se localiza o monumento a Castelo Branco, foi colocado um tobogã gigante. Conforme Sastre (2011, p.201), "o brinquedo tornou-se uma verdadeira febre, com filas gigantescas de crianças e adultos querendo seus 30 segundos de descida rápida". Mas logo a atração perdeu seu publico por ser muito repetitiva e rápida, fazendo com que fosse removida da área dois meses após a sua implementação.

Retirado de SASTRE (2011, p.202). Reprodução do jornal Zero Hora de 14/07/1971, p.6.

SASTRE, Rodolfo Marques Farroupilha e Moinhos de Vento: a urbanidade dos parques públicos de Porto Alegre. 2011, 238 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/39659> . Acesso em: 26 fev. 2014.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Os Projetos do Viaduto Otávio Rocha

O Viaduto Otávio Rocha é considerado a principal obra de ligação do Centro de Porto Alegre com a Zona Sul. A obra apresenta como característica o rebaixamento do acesso ao núcleo urbano da capital já que este se encontra em uma zona alta, sendo o projeto criado pelo engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui em 1927.
Apresento abaixo dois desenhos de projetos que acabaram não sendo aproveitados, eles foram retirados da dissertação "A arquitetura de Christiano de la Paix Gelbert em Porto Alegre (1925-1953)" de Taísa Festugato. Deve-se citar que estou estudando o material que é recheado de detalhes sobre as obras do arquiteto Christiano de la Paix, profissional que trabalhou na prefeitura de Porto Alegre executando diversas obras públicas.
Conforme Festugato (2012), em 1927 foram criados dois estudos urbanísticos dentro Comissão Especial de Novas Obras da Prefeitura de Porto Alegre para o viaduto. O primeiro deles foi elaborado por Duilio Bernardi. No desenho reproduzido abaixo se pode notar o uso de nichos para delimitar portas e esculturas, na parte superior desenvolvesse uma escada com alguns espaços planos.



Desenho de Duilio Bernardi. Retirado de Festugato (2012, p.41). Reprodução do Acervo EPAHC

O segundo projeto era do então desenhista chefe da Prefeitura de Porto Alegre Christiano Gelbert. Em seu projeto existia uma fonte dividida em três partes com uma escultura, nichos nas portas e lances de escadas. Outra peculiaridade são os elementos adaptando-se ao tamanho da subida da escadaria.

 Desenho de Christiano de la Paix Gelbert. Retirado de Festugato (2012, p.41). Reprodução do Acervo EPAHC.

Ambos os projetos apresentam um forte caráter decorativo principalmente pelo uso de esculturas mas nenhum acabou sendo utilizado. Festugo (2012) comenta que Manoel Itaqui era amigo do então prefeito Otávio Rocha. Em um encontro casual, o engenheiro acabou rabiscando na hora o que viria a ser o projeto aprovado para a construção do viaduto. Ainda baseando-se nas considerações de Festugo, a obra de Itaqui apresentava duas diferenças significativas aos projetos de Gelbert e Bernardi: rampa escalonada para suavizar a subida e o pórtico arqueado que cria uma galeria coberta em parte do percurso.

 Rampa ao invés de escadarias

Galeria sobre a calçada

FESTUGATO, Taísa. A arquitetura de Christiano de la Paix Gelbert em Porto Alegre (1925-1953). 2012, 180 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em Arquitetura, Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/67061> . Acesso em: 25 fev. 2014.