quarta-feira, 19 de março de 2014

O Início do Modernismo em POA: Moinho Chaves

O Moinho Chaves é citado no livro de Günter Weimer como a segunda edificação de Porto Alegre com os pressupostos que futuramente viriam a compor o Modernismo. A edificação localizada na Avenida Voluntários da Pátria foi projetada em 1919 pelo renomado arquiteto Theo Wiederspahn. A fachada apresenta a inscrição "1920" sendo provavelmente o ano em que o local ficou pronto, anteriormente essa era a sede do então chamado Moinho Porto-Alegrense (WEIMER, 1998).
Como citado no post anterior, o Moinho Chaves apresenta uma extrema simplificação de sua fachada, sendo notados apenas motivos geométricos e o símbolo da Família Chaves Barcellos. Deve-se ressaltar que Theo Wiederspahn também projetou o prédio da Cervejaria Bopp, sendo este o exato oposto em termos estéticos em comparação ao moinho. Weimer (1998) aponta a edificação como de grande importância a nível internacional, pois a construção pode ter sido a primeira dentro da capital a se utilizar do conceito de planta livre, sendo assim, o local não apresenta paredes internas. O autor ainda afirma que a edificação adquiriu em sua época de inauguração notório reconhecimento pela técnica construtiva diferenciada. 


O local abrigou durante muito tempo a atividade de moinho, sendo desativado para comportar um depósito de produtos químicos. Até alguns anos atrás o prédio serviu de sede comercial para a empresa Ferramentas Gerais. No período em que esta firma administrou o local, a fachada apresentava as cores verde e branco em alusão a logomarca do respectivo empreendimento. Atualmente quem explora comercialmente a área é a Dufrio Refrigeração, sendo que toda a fachada do prédio foi pintada em tons pastel. 



WEIMER, Günter. Arquitetura modernista em Porto Alegre: entre 1930 e 1945. Porto Alegre: Prefeitura de Porto Alegre, 1998.

terça-feira, 18 de março de 2014

O Início do Modernismo em POA: Moinho Rio-Grandense

Em posts recentes foram abordados diversos prédios com a temática do Modernismo, principalmente de inspiração Art Déco, como foi o caso dos hotéis Carraro e Jung. Günter Weimer fez um importante estudo sobre o Modernismo na cidade que culminou com o excelente livro "Arquitetura modernista em Porto Alegre: entre 1930 e 1945" publicado em 1998. 
Nesse post é apresentado o Moinho Rio-Grandense que pode ser tomado como um percursor do Modernismo na cidade. Para uma melhor contextualização do impacto desta edificação no estudo da arquitetura de Porto Alegre, devemos como era a situação das construções fabris no período anterior ao início da Primeira Guerra Mundial. Esta época se caracterizou pelo mercado de exportações aquecido, fazendo com que os empresários da capital acumulassem capitais. Isto refletiu na arquitetura que era criada na época, Weimer (1998) apresenta como exemplo típico do período o prédio da Cervejaria Bopp, rico em motivos ornamentais.


Fachada ornamentada da antiga Cervejaria Bopp (atual Shopping Total), sendo estes detalhes onerosos para a obra.

Entretanto com o início da Primeira Guerra as exportações sofreram uma grande redução em seu fluxo de negócios, criando uma crise entre mercados internacionais. Isto afetou o Rio Grande do Sul e consequentemente Porto Alegre, por outro lado o comércio interno acabou aquecido. Esta mudança de mercados fez com que a acumulação de capital fosse drasticamente reduzida. Os investimentos fabris foram de certa forma criados, mas foram empregados de uma maneira não tão exacerbada quanto no período anterior a Guerra. Isto fez com que a arquitetura industrial fosse simplificada, eliminando assim os elementos decorativos e dando preferência em características de funcionalidade do conjunto arquitetônico (WEIMER, 1998). 
A primeira edificação que se utilizou dos preceitos decorrentes da nova realidade econômica foi o Moinho Rio-Grandense. O prédio localizado na Voluntários da Pátria teve seu projeto aprovado pela prefeitura em 1915 sendo assinado por Antônio Faria dos Santos (WEIMER, 1998). Por ser de um período do aquecimento da industrialização para o comércio interno, nota-se que o moinho preza pela funcionalidade e não se utiliza de motivos ornamentais, algo pioneiro para a época.


Estado atual do prédio. Nota-se a inexistência de motivos ornamentais.

Weimer (1998) aponta o prédio do Moinho Rio-Grandense como de importância internacional por suas soluções formais. Estas características foram vistas como de gosto duvidoso para a época, mas após o fim da  Primeira Guerra, acabaram dialogando com o que viria postulados do Modernismo.

WEIMER, Günter. Arquitetura modernista em Porto Alegre: entre 1930 e 1945. Porto Alegre: Prefeitura de Porto Alegre, 1998.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Casa Estilo Portuguesa na Andradas

Um antigo prédio com estilo português (azulejos na fachada) está agonizando enquanto aguarda um possível comprador. O local tem a sua história ainda nebulosa, sendo que em um excelente post organizado por Cougo e Zat (2013), descobriu-se algumas atividades residenciais e comerciais que o local abrigou, mas para muitos ainda resta na memória como este sendo a sede da loja de bolsas Duquesa. Há quatro anos atrás a edificação teve sua fachada queimada por um foco de incêndio, fazendo com que a situação de abandono ficasse ainda pior.

Situação atual do prédio

COUGO, Chico; ZAT, Letícia. Casarão dos azulejos (Andradas, 891, 892).  2013. Disponível em: . Acesso em: 17 mar. 2014.


UPDATE 21/03/2014


Estava passando hoje na frente do prédio e vi que colocaram uma patrola para remover os escombros que ainda existiam por lá.



sexta-feira, 14 de março de 2014

Antigo Hotel Moritz

Atualmente o prédio do antigo Hotel Moritz, na esquina da Rua Sete de Setembro com João Manoel, está em processo de restauração. A imponente edificação eclética vem para fechar essa semana onde o blog buscou fazer uma sequencia de locais que abrigavam a antiga rede hoteleira da cidade. 

Imagem das obras de restauração do antigo Hotel Moritz

Nesses 5 dias de posts foram apresentados hotéis que tinham uma forte característica comum: localização nas esquinas. Leão (2000) apresenta a teoria de que na época ainda existiam grande lotes na área central de Porto Alegre, tornando assim fácil a criação de edificações neste estilo. 

LEÃO, Silvia Lopes CarneiroOs antigos hotéis de Porto Alegre. Arqtexto. Porto Alegre. N.0 (2000), p.4-12. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/22139> . Acesso em: 14 mar. 2014.


quinta-feira, 13 de março de 2014

Grande Hotel Schmidt

O atual edifício Bragança, localizado na esquina da Rua dos Andradas com a Marechal Floriano, era originalmente o Grande Hotel Schmidt. Infelizmente não foram localizadas a data de projeto nem seu respectivo autor. Mas para Leão (2000), o Schmidt (assim como o Novo Hotel Jung) era um típico representante do início do Modernismo na cidade.




LEÃO, Silvia Lopes CarneiroOs antigos hotéis de Porto Alegre. Arqtexto. Porto Alegre. N.0 (2000), p.4-12. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/22139> . Acesso em: 12 mar. 2014.


quarta-feira, 12 de março de 2014

O (Antigo) Novo Hotel Jung

O Edifício Frederico Mentz localizado na Avenida Otávio Rocha esquina com a Rua Marechal Floriano sediou durante anos o segundo prédio do Hotel Jung de Porto Alegre. A empresa hoteleira situava-se na década de 10 na Rua Voluntários da Pátria (LEÃO, 2000), mudando-se posteriormente para o prédio do presente post, sendo este recebendo a alcunha de "Novo Hotel Jung". O prédio foi projetado em 1931 por Agnello Nilo de Lucca a serviço da Firma Azevedo Moura & Gertum (OLIVEIRA, 2010). A edificação foi um dos marcos do Modernismo da capital na década de 30, sendo representante do estilo Art Déco com seus 10 andares, algo monumental para a época.

Foto de época do Novo Hotel Jung. Retirado de OLIVEIRA (2010, p.107)




Leao, Silvia Lopes CarneiroOs antigos hotéis de Porto Alegre. Arqtexto. Porto Alegre. N.0 (2000), p.4-12. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/22139> . Acesso em: 12 mar. 2014.

 OLIVEIRA, Rogério Pinto Dias deSaul Macchiavello & Antonio Rubio: modernidade arquitetônica em Porto Alegre (1928-1938). 2010, 215 f. Dissertação (Mestrado em História)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em História, Faculdade de Filosofia e CIências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10923/3840> . Acesso em: 12 mar. 2014.


terça-feira, 11 de março de 2014

Edifício Alcaraz

O Edifício Alcaraz está localizado na Rua Andrade Neves com a Travessa Acilino de Carvalho (também chamada de Rua 24 Horas). O projeto foi assinado pela dupla Saul Macchiavello e Antonio Rubio em 1930, sendo que estes futuramente viriam a executar o Edifício Comendador Chaves (tratado no post anterior). O nome do local se deve ao seu antigo dono, Alexandre Alcaraz (OLIVEIRA, 2010).
O prédio em questão foi construído em concreto armado e apresentava elevadores, servindo como hotel desde o seu início. Atualmente o local é utilizado pela empresa Hotel Lacaster. De acordo com Oliveira (2010), o local era visto como um marco da arquitetura moderna da capital com seu estilo despojado.

Imagem do Edifício Alcaraz na Revista do Globo nº31 de 1930. Retirado de Oliveira (2010, p. 155)

 Vistas atuais do Edifício Alcaraz (Atual Hotel Lancaster)

OLIVEIRA, Rogério Pinto Dias deSaul Macchiavello & Antonio Rubio:modernidade arquitetônica em Porto Alegre (1928-1938). 2010, 215 f. Dissertação (Mestrado em História)-Programa de Pesquisa e Pós-Gradução em História, Faculdade de Filosofia e CIências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10923/3840> . Acesso em: 11 mar. 2014.